Você já parou para pensar em como surge uma editora de livros? E como ela pode se manter viva por 119 anos?

A cartilha tradicional dos negócios diz que essa resposta envolve pesquisas de mercado, planos de contingência e planilhas de viabilidade econômica. Mas, se voltarmos no tempo, há exatamente 119 anos, vamos descobrir que as maiores histórias da literatura e do mercado editorial não nascem da lógica. Elas nascem de algo muito mais poderoso: o delírio de uma pessoa visionária.
Um operário que pensa grande

São Paulo, 1907: a cidade crescia a passos largos, a energia elétrica era recém chegada, do café vinham os lucros e a urbe passava a criar intimidade com o ritmo frenético, mas onde mais de 80% da população ainda era analfabeta. É nesse contexto que o DNA do Grupo Editorial Pensamento se forma.
Antônio Olívio Rodrigues, um jovem imigrante português de 28 anos, poderia ser só mais um braço operando na cidade, mas suas ideias falavam mais alto. Durante o dia, a labuta era árdua, o relógio, dividido entre os turnos como operário, jardineiro e jornaleiro.
Certa noite, perdido em seus próprios pensamentos, uma ideia vaga e imprecisa lhe vem à mente: o mundo precisava se tornar um lugar mais justo, com ideais menos materialistas, mais puros e nobres. O jovem operário de chão de fábrica que, até aquele momento, mal tivera contato com os livros, percebe que é hora de começar a estudar. E noite após noite, depois de uma dura jornada de trabalho, ele estuda sem cessar, debruçado sobre seus novos tesouros filosóficos.
O caminho é pavimentado
Letrado à base de autodidatismo, Antônio apostou tudo na tradução de Magnetismo Pessoal, de Heitor Durville. No momento de retirar os exemplares da gráfica, ele fica desempregado. Desistir não era uma opção, então Antônio penhora as poucas jóias da família para conseguir os últimos mil-réis e fechar a conta.

As expectativas do editor em formação eram altas e, à princípio, não se cumpriram, pois a recepção da obra foi puramente hostil: frieza dos jornalistas, desconfiança do público, acusações de bruxaria e antipatia por parte dos kardecistas. Ainda assim, Antônio trabalhou em suas estratégias de marketing antes mesmo de elas serem cunhadas: ele mesmo saía distribuindo folhetos nos cafés e bares do centro de São Paulo, acumulando sozinho as funções de redator, tradutor, revisor e remessista.
Antônio sabia que havia de vencer em algum momento, por isso, cravou a perseverança que ressoa nas fundações da editora até os dias de hoje. Rapidamente, a Pensamento tornou-se a precursora do gênero de autoajuda e autoconhecimento no Brasil, publicando autores orientais e esotéricos décadas antes de virarem tendência de mercado.

Se a audácia de Antônio Olívio plantou as sementes do grupo, foi a força de seu genro, o professor Arthur Riedel, que consolidou uma das filosofias mais marcantes da história da editora. Arthur transformou uma superação pessoal contra uma profunda crise em um mantra nacional: “HEI DE VENCER!”. Inicialmente avesso a publicar suas ideias, suas palestras magnéticas na “Escola da Vida” foram registradas às escondidas por seu filho, Diaulas Riedel, dando origem ao livro homônimo lançado em 1952. Através da célebre e pitoresca parábola das duas rãzinhas que caíram no leite, Arthur Riedel ensinou gerações de brasileiros a perseverar diante do fatalismo.

Geração após geração, esse ideal foi expandido. Seu neto, Diaulas Riedel, assumiu a redeas nos anos 1940, ajudando a fundar a Câmara Brasileira do Livro e criando, em 1956, o selo Cultrix, uma matrix cultural, trazendo para o catálogo nomes como Norman Vincent Peale, estudiosos de Carl Gustav Jung e grandes intelectuais da literatura na área das ciências humanas.
Para navegar por novos mares literários, em 2011 o grupo fundou a Editora Jangada, um selo jovem e dinâmico que nasceu com a missão de trazer o melhor da ficção contemporânea, dos romances históricos e da fantasia épica para o público brasileiro. Com um catálogo repleto de best-sellers internacionais e narrativas visuais marcantes, a Jangada expandiu o nosso legado, provando que o prazer de contar grandes histórias continua navegando firme rumo ao futuro.
Assim nasce uma editora de vanguarda
Muito antes de Philip Kotler oficializar as estratégias oficiais de marketing, Antônio Olívio Rodrigues os colocava em prática no Brasil, em 1907, estratégias essas que são usadas na divulgação de livros até hoje.

A revista O Pensamento foi criada, uma publicação mensal que servia como plataforma de divulgação de livros. Para atrair assinantes, o editor oferecia um plano anual que dava como brinde um exemplar de Magnetismo Pessoal. O Círculo Esotérico da Comunhão do Pensamento (1909) era quase um clube do livro da época, onde os manuais e rituais dos membros advinham dos livros impressos pela editora. Nessa fase, a livraria da editora foi aberta na Rua Senador Feijó, nº 1A.
Criado para contornar a dificuldade de distribuição geográfica nos rincões do Brasil, o Almanach d’O Pensamento nasceu em 1912 com tiragem inicial de 20 mil exemplares. O livreto continha previsões astrológicas e ensaios esotéricos e servia como catálogo de vendas por correspondência e existe até os dias de hoje como guia anual para os esoteristas.
119 anos de pensamentos em transformação

O Grupo Editorial Pensamento não foi criado apenas para imprimir palavras em papel, mas para cumprir com o propósito de ser um farol de ideias e um agente ativo em um mundo em constante mutação. Vencemos o tempo, vencemos desafios e obstáculos todos os dias e há 119 anos seguimos comprometidos com o mesmo intento de Antônio Olívio Rodrigues de tornar o mundo um lugar melhor, pautados no pioneirismo que nos trouxe até aqui.
Agradecemos a cada leitor, livreiro, autor e colaborador que faz parte desse seleto grupo de empresas que desafiam o tempo e celebram mais de um século de paixão pelos livros.
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