Oráculo Literário

Blog do Grupo Editorial Pensamento

A síndrome do impostor é uma expressão informal que muito se usa, mas quase ninguém a reconhece na prática. Se você parar e olhar à sua volta, vai perceber que muitas pessoas vivem e se comportam como se a suas vidas fossem um filme — no qual elas são os personagens principais.

Cada foto ou vídeo é milimetricamente calculado para causar boa impressão, gerar visibilidade e atrair os holofotes para si. Não se trata de um diagnóstico clínico ou transtorno mental reconhecido: é apenas a expressão de uma mentalidade na qual as pessoas se veem como o ponto central de sua própria vida — e  todas as outras pessoas são meros coadjuvantes.

Mas ser protagonista não deveria ser… bom?

Agir como o protagonista da sua história é importante e até saudável, uma vez que incentiva a confiança, a motivação e a autonomia. O problema está no excesso e na necessidade de transformar essa atitude em uma busca constante por atenção, com reações exageradas, empatia reduzida e a expectativa de que o mundo deve girar ao seu redor.

As redes sociais, como Instagram, TikTok e até mesmo Pinterest, têm amplificado essa necessidade  de “autopromoção”, nos incentivando a estar sempre online, registrando  tudo, o tempo inteiro. O universo digital nos faz acreditar que vivemos  uma mentira —  e nossa vida só é válida  se postarmos sobre o que fazemos ou deixamos de fazer a cada 3 horas.

O Efeito Holofote

A psicologia adiciona uma camada a mais nessa reflexão: o efeito holofote, que é um viés psicológico no qual a pessoa acredita que todos estão fixados na sua imagem, atitudes e eventuais falhas (justamente, como se houvesse um holofote voltado para si o tempo todo).

Por trás dessa postura, muitas vezes se esconde certo grau de insegurança interior, que opera como uma defesa mental para afastar a sensação de ser insuficiente.

Mas e se todos disputarem esse holofote entre si?

A plateia simplesmente desaparece. Todos buscam o protagonismo, a voz ativa, demandam reconhecimento constante e exigem que suas próprias angústias ocupem o centro das atenções e isso gera conflitos, desentendimentos e também sofrimento.

Mas, afinal, qual é a solução?

O caminho passa pelo equilíbrio e pela maturidade emocional, que nos levam a reconhecer que somos os protagonistas apenas da nossa trajetória, e não da existência dos outros. Essa transformação não ocorre instantaneamente: exige assumir a consciência de seus atos, encarar sua essência e avaliar se você está realmente vivenciando o seu caminho ou apenas “encenando” para uma plateia.

O Algoritmo Humano

Você pode até notar um certo impacto do mundo digital na sua vida e nas suas escolhas, mas às vezes isso acontece de forma gradual e sutil.  O Dr. Robin K. Mathew explora algumas facetas dessa mudança em O algoritmo humano, seu novo lançamento pela Editora Cultrix.

A obra combina pesquisas científicas, fatos históricos e casos reais que ilustram os dilemas da vida hiperconectada, explorando temas como vício em smartphones e telas em geral, ansiedade digital e hipocondria, impactos da tecnologia no desenvolvimento cognitivo infantil, cyberbullying e relacionamentos românticos, além dos desafios éticos envolvidos no  uso da IA.

Sobre o autor

Dr. Robin K. Matthew é psicólogo e etnógrafo, reconhecido por suas reflexões sobre psicologia social e por suas contribuições em diversas plataformas de mídia. Nos últimos doze anos, publicou cerca de 500 artigos, além de quatorze livros, todos marcados por análises originais da psicologia e das complexidades e diversidade da condição humana.

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