Oráculo Literário

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Mulheres, amantes, revolucionárias: para onde foram algumas mulheres que fizeram história?
Banner de Josef Stalin em Budapeste

Durante anos, décadas, séculos e milênios foi comum que mulheres simplesmente não existissem como criadoras na história. O espaço de grandes figuras ficavam reservados aos homens, pense: você já viu alguma grande fotografia histórica dedicada à uma mulher? 

O século XX foi marcado pela massificação das imagens que representavam poder, mas ao mesmo tempo, enquanto as grandes fotos eram enquadradas pelas cidades, as imagens de quem corria ao lado dos líderes foram sendo deixadas de escanteio. 

Descubra alguns nomes de mulheres que desapareceram da história.

Inessa Armand

Com uma biografia recém publicada pela editora Cultrix, da autora Ritanna Armeni, Inessa Armand é um nome que desapareceu da história. Cartas revelam que ela teve uma relação próxima e afetiva com Vladimir Lênin, porém, após a morte dele, todas as comprovações de proximidade foram destruídas, pois não seria de bom tom para a narrativa heróica de Lênin um caso extraconjugal. 

Uma militante comunista exemplar, Inessa dedicou a vida para propagandear as propostas do Partido pela Revolução. Além da propaganda – que culminou em suas prisões e até um exílio na Sibéria ainda muito jovem –, Inessa teve um papel essencial na formulação da Revolução de 1917: era uma “camarada” de extrema confiança, com habilidades de organização extraordinárias e que sabia conversar com os trabalhadores que precisavam aderir ao movimento. A camarada Armand, como ficou conhecida, teve um papel central na construção de uma revolução que incluísse as mulheres, lutando pela emancipação e educação feminina.

Zelda Fitzgerald

A máxima “por trás de um grande homem, existe uma grande mulher” é uma verdade absoluta: Zelda Fitzgerald foi esposa do célebre autor F. Scott Fitzgerald, muitas vezes retratada como a mulher louca e desequilibrada de um gênio da literatura. 

A realidade é muito mais perversa: Zelda mantinha diários, cartas e textos próprios que foram tomados a contra gosto por Francis Scott – o bom e velho plágio. Para escrever suas obras tão celebradas, o autor de O Grande Gatsby extraía trechos inteiros dos escritos de Zelda, sem sinalizar com aspas, muito menos créditos. Quando Zelda escreveu sua própria obra, o romance “Essa Valsa é Minha”, em apenas seis semanas e enquanto estava internada em uma instituição psiquiátrica, Fitzgerald ficou furioso, pois havia ali um material precioso que ele pretendia usar em seu próprio livro, “Suave é a noite”.

Mileva Maric

Você pode estar se perguntando “quem?”, mas nomear apenas como a primeira esposa de Albert Einstein não faz jus à figura emblemática de Maric, pois ela também foi física, matemática e uma das poucas mulheres de seu tempo a ingressar na graduação. Apesar de toda dedicação e das notas mais altas do que o próprio Einstein ao longo do curso, ela não obteve o diploma por ser reprovada duas vezes nas provas de “oralidade”. 

Desde antes do casamento, eles teorizavam, escreviam, estudavam e descobriram sobre a física juntos. O casal chegou a publicar um artigo científico, mas apenas Albert assinou a autoria. Em cartas trocadas pelo casal, Einstein nomeava os estudos e escritos como “nossos”.  

Enquanto ele trabalhava no Escritório de Patentes de Berna, ela se ocupava das atividades domésticas e dos cuidados com o filho recém-nascido, Hans. À noite, sentavam-se à mesa e revisavam teorias juntos. O casamento acabou, Einstein ganhou o prêmio Nobel da Física e dividiu apenas o prêmio financeiro com Mileva, mas nunca os créditos.

Nadejda Krupskaia

Diferente de Inessa Armand, Krupskaia foi quem recebeu o título oficial de “companheira de Lênin”, mas assim como Inessa, foi muito mais do que apenas a esposa. Militante desde os 14 anos, Nadejda também dedicou uma vida inteira a pensar em um modelo de sociedade que fosse mais justo para todas as pessoas, se especializando na área da educação. Foi uma mulher que decidiu quebrar paradigmas ao decidir não direcionar seus esforços ao casamento e à maternidade, e mesmo ao lado de Lênin, se manteve ativa, participando de movimentos junto aos professores e idealizando uma educação pública inclusiva e que, além de tudo, atuasse na libertação das mulheres do serviço doméstico – que como sabemos, foi coletivizado depois da Revolução de 17.

Artemisia Gentileschi

Diferente das outras mulheres citadas, o apagamento de Artemisia é diferente. Ela não se tornou a “esposa de alguém”, mas dificilmente é mencionada entre o panteão dos artistas. Na verdade, sua história foi abraçada pelo movimento feminista nos anos 70, mas por um motivo não relacionado à sua arte, e sim pelo seu trauma: a artista sofreu um estupro aos 18 anos pelo seu professor, teve de ver sua denúncia questionada e seu agressor livre. Mas sua arte fala mais alto, afinal, ela foi a primeira mulher aceita na Academia de Artes de Florença, a mesma por onde Michelangelo passou.

O olhar de Artemisia era voltado para destacar as figuras femininas, principalmente retratando cenas bíblicas. Depois do ocorrido, sua fúria foi parar na ponta do pincel, resultando em obras como Judite Decapitando Holofernes, a mais conhecida da artista e também capa do livro A Criação da Consciência Feminista, de Gerda Lerner, publicado pela editora Cultrix.

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